{"id":652,"date":"2022-09-08T16:22:40","date_gmt":"2022-09-08T19:22:40","guid":{"rendered":"https:\/\/igorbarenboim.com.br\/?p=652"},"modified":"2022-09-08T16:22:40","modified_gmt":"2022-09-08T19:22:40","slug":"lockdown","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/igorbarenboim.com.br\/pt-br\/lockdown\/","title":{"rendered":"\u201cMilagre econ\u00f4mico da China j\u00e1 passou\u201d, diz s\u00f3cio da Reach Capital"},"content":{"rendered":"
Por Beatriz Boyadjian<\/em><\/p>\n N\u00e3o h\u00e1 tr\u00e9gua para a\u00a0China<\/strong>. O pa\u00eds que viu o in\u00edcio, pico e volta das contamina\u00e7\u00f5es por Covid-19 lidou com a crise no setor imobili\u00e1rio pelo calote da gigante Evergrande e agora enfrenta ondas de calor h\u00e1 mais de 60 dias. Apesar de tudo, ainda \u00e9 a segunda maior economia do mundo e o principal comprador do Brasil. Em entrevista ao Suno Not\u00edcias, o economista e s\u00f3cio-diretor da Reach Capital, Igor Barenboim, v\u00ea a na\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica em uma nova fase: \u201cCom a Covid-19, tudo mudou\u201d.<\/p>\n Para Barenboim, os pr\u00f3ximos passos na economia n\u00e3o ser\u00e3o mais exclusivamente ditados pelos Estados Unidos, como o mundo costumava entender. \u201cPensando no futuro, a China \u00e9 o pa\u00eds que dita o que vai acontecer por aqui\u201d, diz. H\u00e1 cerca de 40 anos o mundo come\u00e7ou a prestar mais aten\u00e7\u00e3o no pa\u00eds oriental, com seu\u00a0desenvolvimento industrial<\/strong>\u00a0e a manufatura de baixo custo.<\/p>\n \u201cA China foi virando a ind\u00fastria do mundo at\u00e9 provocar uma\u00a0onda de globaliza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0enorme, barateando os pre\u00e7os dos produtos. Todos os pa\u00edses centrais se beneficiaram disso. O Brasil, que tinha muita manufatura, foi quem mais perdeu. Todo mundo direcionou o olhar para o Oriente\u201d, explica.<\/p>\n Em 2001, a China entrou para a\u00a0Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio<\/a>, apoiada principalmente pelos Estados Unidos \u2013 hoje seu grande rival. Na \u00e9poca, o argumento era de que a\u00a0liberdade econ\u00f4mica<\/strong>\u00a0poderia levar tamb\u00e9m \u00e0 abertura pol\u00edtica. Com o processo de globaliza\u00e7\u00e3o e demanda grande, mais o avan\u00e7o de sua industrializa\u00e7\u00e3o, o pre\u00e7o viria anos depois. Barreiras alfandeg\u00e1rias e tarifas aos produtos chineses foram impostas, como rea\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de um entendimento norte-americano de que seus dados n\u00e3o podiam ir para a \u00c1sia.<\/p>\n \u201cN\u00e3o daria mais para os eletr\u00f4nicos continuarem sendo produzidos por um pa\u00eds que possivelmente teria outro interesse diferente dos EUA. Com isso, um novo\u00a0mapa de uma Guerra Fria\u00a0<\/strong>foi\u00a0criado\u201d, analisa o economista.<\/p>\n Com a chegada da\u00a0Covid-19<\/strong>, tudo mudou para a China. A pandemia abalou fortemente o pa\u00eds, que n\u00e3o tinha um sistema de sa\u00fade para abarcar o tamanho do impacto que a doen\u00e7a causou. \u201cHouve muito medo de pessoas morrerem e o governo perder a legitimidade. Um lockdown mais r\u00edgido foi imposto por isso. Os norte-americanos entenderam que n\u00e3o daria mais para confiar s\u00f3 na China para terem seus produtos; isso quebraria toda a cadeia de produ\u00e7\u00e3o\u201d, explica Igor Barenboim.<\/p>\n Os pa\u00edses centrais pararam de apoiar a atividade econ\u00f4mica do pa\u00eds, com autoridades dos EUA, sobretudo militares, se preocupando com quem tinha\u00a0acesso aos seus dados<\/strong>. \u201cTudo isso parou a China. Nesse ambiente, com uma c\u00f3pia do capitalismo dos EUA, o pa\u00eds estava gerando muitos bilion\u00e1rios, como\u00a0Jack Ma<\/a>\u00a0do Alibaba (BABA34<\/a>). Isso prejudicou a vis\u00e3o chinesa do ideal do pa\u00eds, e a disparidade social come\u00e7ou a ficar cada vez mais evidente. O ideal de prosperidade l\u00e1 n\u00e3o \u00e9 para apenas uma pessoa, mas para todos.\u201d<\/p>\n A China, ent\u00e3o, come\u00e7ou a impedir a listagem de diversas empresas para interromper a capta\u00e7\u00e3o de dinheiro em mercados centrais. O pr\u00f3prio Alibaba, listado atualmente na\u00a0Bolsa de Valores de Nova York (NYSE)<\/strong>, foi uma das 270 empresas adicionadas a uma lista da Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios dos Estados Unidos (SEC) de chinesas que podem deixar o mercado norte-americano se n\u00e3o atenderem aos requisitos de auditoria<\/p>\n H\u00e1, al\u00e9m de tudo, uma quest\u00e3o imobili\u00e1ria predominantemente preocupante na China. Barenboim explica que, pelo\u00a0sal\u00e1rio m\u00e9dio de Xangai<\/strong>, uma pessoa precisa trabalhar 40 anos para conseguir comprar um apartamento. Em Nova York, que \u00e9 conhecida por seu\u00a0custo de vida<\/a>\u00a0caro, esse tempo \u00e9 de 20 anos. \u201cO im\u00f3vel \u00e9 o principal\u00a0instrumento de poupan\u00e7a chin\u00eas<\/strong>, de reserva de valor. Isso gera uma tens\u00e3o social, com cada vez mais pessoas morando fora da cidade\u201d, avalia.<\/p>\n Daqui para frente, o caminho n\u00e3o dever\u00e1 ser o mesmo para o gigante asi\u00e1tico. \u201cN\u00e3o sou otimista em rela\u00e7\u00e3o ao crescimento da\u00a0China<\/strong>. Houve o milagre econ\u00f4mico de 40 anos, com um desempenho inacredit\u00e1vel nos \u00faltimos 20, mas agora \u00e9 um pa\u00eds de renda m\u00e9dia, que tem seus desafios. A China chegou ao momento de parar de crescer. Tem muita gente saindo de l\u00e1. Mesmo a Apple (AAPL34<\/a>) come\u00e7ou a aumentar sua produ\u00e7\u00e3o no Vietn\u00e3\u201d, exp\u00f5e.<\/p>\nChina contempor\u00e2nea: pa\u00eds de renda m\u00e9dia com seus desafios<\/h2>\n