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Foto: Chronis Yan/Unsplash

Juros futuros têm alta firme com risco fiscal no radar (Valor Econômico)

Os juros futuros encerraram a sessão desta quarta-feira (7) em alta firme, mais intensa nos trechos do “miolo” e longo da curva, tendo em vista, principalmente, a percepção de risco fiscal, também levando em conta o impasse que se arrasta pela resolução do Orçamento.

Ao mesmo tempo, a perspectiva de pressão inflacionária no curto prazo voltou a puxar as taxas de curto prazo e o mercado precifica, agora, 68% de chance de uma alta de 1 ponto percentual (pp) no próximo Copom e 32% de uma de 0,75 pp, se apenas estas alternativas forem consideradas. Profissionais observam ainda que a liquidez dos negócios foi reduzida nesta quarta.

Finalizado o pregão, às 16h, a taxa do DI para janeiro de 2022 variou de 4,65% no ajuste anterior para 4,725% e a do DI para janeiro de 2023 subiu de 6,55% no ajuste anterior para 6,68%. Já a taxa do DI para janeiro de 2025 avançou de 8,23% para 8,37% e a do DI para janeiro de 2027 anotou alta de 8,85% para 8,98%.

O contexto fiscal delicado segue sendo fundamental para os movimentos do mercado, em um ambiente sem novidades em torno do desfecho do Orçamento.

“Hoje não teve um driver claro e vimos a taxa do [DI] janeiro/2023 abrir bem. Essa curva de juros está precificando um cenário de ‘desancoragem’ fiscal com impactos para a inflação”, diz Igor Barenboim, sócio e economista-chefe da Reach Capital e ex-secretário adjunto de política econômica do Ministério da Fazenda, citando que este não é o seu caso base.

Atualmente, Barenboim avalia que o juro básico precificado na curva para o fim de 2021, de cerca 6,5%, não deverá ser o ponto final do ciclo de normalização do BC. “Acho que não tem essa necessidade, dada a perspectiva para a atividade econômica e a projeção de inflação [para 2022] ainda está ancorada”, diz ele, mencionando que se trata de um prêmio de risco fiscal.

Na “Live do Valor” desta quarta, Sérgio Goldenstein, ex-chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab) do Banco Central, sustentou linha semelhante de argumentação ao referir-se à condução da política monetária. “O aperto podia ser feito em ritmo mais gradual”, disse ele, citando que houve “má comunicação do BC” ao dar a decisão de elevar o juro básico do Brasil em 0,75 ponto.

Perto do fim da sessão, outro fator instigou cautela e contribuiu para a piora dos juros locais, bem como a bolsa e o câmbio. O presidente Jair Bolsonaro afirmou, em discurso de posse do novo diretor-geral de Itaipu Binacional, que é “inadmissível” a Petrobras reajustar o preço do gás em 39%. Dirigindo-se ao general Joaquim Silva e Luna, escolhido para assumir a estatal, ele disse que “podemos mudar esta política de preços por lá”.

A fala puxou o juro curto, como o para janeiro de 2022, em 4 pontos-base, e esticou a taxa para janeiro de 2027 em 7 pontos-base. “A tensão política é o principal fator para os preços e a fonte usual de volatilidade”, nota um diretor de tesouraria de um banco.

Além disso, a liquidez ao fim da sessão regular se mostrava bastante reduzida, de acordo com profissionais de mesas de operação. O contrato de DI para janeiro 2023, o mais negociado do pregão, somava 292 mil negócios fechados, abaixo da média dos últimos 30 dias, de cerca de 490 mil contratos negociados.

Fonte: Valor Econônico.